Suas medidas de sucesso nem sempre lhe fazem um vencedor

Estou lendo um livro bem interessante. Apesar de ser auto-ajuda, o livro, em si, acaba sendo mais uma história que acabamos lendo e enxergando aplicações em nossa vida. Não consegui ver nele nada desta auto-ajuda com aquele famoso otimismo alegria alienada que vemos nos livros por aí não.

O livro é o “A sutil arte de ligar o f*da-se” que, aliás, é uma leitura mais que indicada para qualquer pessoa. Esta arte tem que ser desenvolvida por todos. Mas, vamos ao assunto principal mesmo do post.

E em um dos capítulos ele fala sobre como às vezes medimos nosso sucesso de forma completamente errada. E, para exemplificar isto ele pega duas histórias de músicos famosos. Um, Dave Mustaine, ex-Metalllica e hoje líder do Megadeth e Pete Best, que foi o primeiro baterista dos Beatles.

Sei que você não está entendendo muito, mas eu vou explicar ao longo do post tudo. Calma.

Quem conhece a história do Metallica sabe que em 1983 Dave Mustaine foi expulso do Metallica de uma forma bem pesada. A banda havia assinado o contrato com uma gravado e meio que deu um pequeno pé na bunda do rapaz ( que, sabemos, não era lá flor que se cheire na época né ? ). Poucos dias antes da gravação do álbum ao invés da amizade dos companheiros, recebeu uma passagem de volta para casa.

Apesar de ter ficado arrebentado ele acabou usando o ódio que havia ficado para recrutar músicos e criar uma das bandas mais bem sucedidas do metal mundial, o Megadeth. E desde o início, ele tinha como foco conseguir ser maior que o Metallica e fazer com que seus companheiros lambessem suas botas.

Felizmente, ele conseguiu uma carreira brilhante como músico, mas, em 2003 ao ser perguntado se ele se sentia bem sucedido, ele disse que ainda se sentia um derrotado. Motivo ? Ele não havia conseguido ser maior que o Metallica. Apesar da grandeza de ambas as bandas, o Metallica é considerada uma das bandas topo da história do estilo, principalmente o disto Thrash Metal.

E o engraçado disto é que vemos o quanto é complicado quando criamos uma medida para o nosso sucesso. E, de repente mesmo sendo bem sucedidos, acabamos nos vendo como derrotados. Dave Mustaine é um exemplo disto. Ele conseguiu realizar um sonho de milhares de pessoas, construir uma carreira maravilhosa, mas, o animal assustado que vive dentro de todos nós ainda queria provar seu valor, simplesmente, sendo maior que aqueles que ele considerava sua medida para o topo.

Pete Best, dos Beatles teve uma história bem parecida. Ele acabou meio que sendo expulso da banda porque era o centro das atenções. Era um cara bem centrado, profissional e que era o foco das atenções das garotas. Como ele meio que era o centro da banda os outros colegas pediram que o empresário Brian Epstein o demitisse.

E ao contrário de Mustaine, Pete passou péssimos anos. Ele bebeu para caramba nos anos que se passaram, processou dois dos antigos colegas de banda e ainda, tentou suicídio. O pior não aconteceu porque a mãe conseguiu o fazer desistir disto.

Mas ao contrário de Mustaine, em uma entrevista ele disse que “era muito mais feliz do que havia sido nos Beatles”.

Motivo ? Ele disse que a expulsão da sua banda o havia dado a chance de conhecer sua esposa e ter seus filhos. Se ele estivesse na banda, isto poderia não ter acontecido.

Na comparação podemos ver que ele chegou mesmo ao sucesso. Só que para ele enxergar o seu sucesso ele mudou o foco, ou seja, mudou os parâmetros de medida do seu sucesso.

Ele notou que fama e glória seriam legais, mas, ao mesmo tempo, ele conquistou algo muito melhor para ele. Ou seja, uma família grande e amorosa e uma vida tranquila. Ele pode não ter chegado ao estrelato mas chegou ao estrelato de sua vida.

O que é legal ao ler estas duas histórias é que notamos que na maioria das vezes o problema não é nossa derrota ou sucesso. O problema é que temos que todos os dias conseguir sentar a cabeça no travesseiro e pensar naquilo que conquistamos diariamente.

Não somos um produto que chega ao fim. Somos o produto de nossa caminhada. E, durante esta caminhada temos que aprender, e entender, que precisamos modificar alguns parâmetros para que não fiquemos eternamente procurando aquilo que já temos.

Já disse isto em um post anterior, precisamos parar de tentar ser o outro. O que devemos ter nos outros são modelos que devem sofrer uma releitura para serem aplicados na nossa vida.

Pois, se ficarmos querendo ser o outro, nunca o seremos. E nunca enxergaremos a grandeza da nossa obra neste mundo.

Ela pode não ser tão grande quanto a do Dave Mustaine, mas, tal qual a de Pete Lau, pode ter resultado em uma família feliz que lhe acompanhará pelo resto da vida.

Imagem via Pixabay

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